Sangue Quente - Isaac Marion











R é um jovem vivendo uma crise existencial – ele é um zumbi. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a “vida” de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos- vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa.
"Love makes us human." 

Antes que vocês pensem “de novo, zumbis?”, me adianto que este livro é um “anti-clichê”. Diferente de muitas obras que apresentam o sofrimento e a sobrevivência dos humanos diante de uma infestação zumbi, o autor apresentou o lado oposto e utilizou da artimanha de transformar o zumbi em protagonista. 




Todos os zumbis não lembram da sua vida passada, mas o zumbi protagonista se auto-intitula “R” por ser um dos poucos que recorda a letra inicial do seu nome quando ainda era um dos vivos. Ele não tem a melhor das aparências, sua pele é “morta” e tem mal-cheiro como de todos os outros zumbis, mas ele se sente diferente por possuir alguns resquícios humanos. R mora em um avião, dentro de um aeroporto que é povoado apenas por zumbis, pois ele preza a privacidade, o que é muito estranho para um zumbi. R guarda objetos que encontra em suas “buscas” pela cidade, na tentativa de torná-lo “menos morto”. Ele também curte ouvir música, como Frank Sinatra, mesmo não possuindo habilidade para dançar.

















Foto retirada do filme "Meu namorado é um zumbi", inspirado pelo livro "Sangue Quente".




No início do livro, notamos como R é peculiar, ele não é um zumbi qualquer. Vale ressaltar que o autor fez questão de citar certos conceitos ao descrever a comunidade zumbi, apresentando uma certa forma de cultura e sociedade. Entre tantos personagens mortos, o autor é capaz de manter a narrativa dinâmica e que você não consegue mais largar por ser muito divertida. 

“Não existe um livro de regras para o mundo. Está tudo na nossa cabeça, nossa mente humana coletiva. Nós fazemos as regras. E podemos mudá-las quando quisermos.”


Em uma de suas buscas à cidade atrás de humanos, R e outros zumbis encontram jovens sobreviventes da “praga” que procuravam mantimentos. R ataca um deles e se alimenta de seu cérebro, pois é sua parte preferida. E aí vem o que achei MUITO interessante. Ao comer o cérebro do humano, por um curto período de tempo, algumas memórias são absorvidas pelo zumbi e R se sente “menos morto” quando é capaz de vivê-las, mesmo que por pouco tempo. Na primeira mordida, R recebe memórias da namorada dele e fica fascinado por elas, ele nota que a garota que vira estava neste momento batalhando contra seus colegas zumbis para sobreviver. 

“Não há um mundo ideal que você possa esperar que apareça. O mundo sempre foi o mesmo, depende de você saber o que fará dele.” 

Motivado por essas lembranças, R a salva, colocando seu cheiro nela, para a mesma passar despercebida por outros zumbis. E aqui a história tem suas primeiras reviravoltas, tornando-se muito divertido acompanhar a interação entre R e Julie. O que nos mostra também, o lado dos humanos sobreviventes. 





Sangue Quente é um romance divertido, que entre algumas mortes, te faz refletir o que realmente nos torna “vivos” ou “mortos”. A narrativa do autor é muito fluída e ele conseguiu expressar o progresso de R no decorrer da história tão bem que é impossível não gostar dele.


Recomendado aos que estão fungindo de clichês. 


TRAILER DO FILME


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2 comentários:

  1. Não li esse livro ainda, mas já assisti o filme e me rendeu umas boas risadas. Espero ler o livro algum dia.
    Abraço
    http://interessantedeler.blogspot.com.br/

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  2. Não sou muito fã de zumbis, Fê, mas se você diz que esse é anti-clichê, eu acredito. A premissa da história parece bastante interessante, fiquei curiosa hm

    Thati;
    http://nemteconto.org

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