O ESCAFANDRO E A BORBOLETA - Jean-Dominique Bauby











“Em 8 de dezembro de 1995, um acidente vascular cerebral mergulhou brutalmente Jean-Dominique Bauby em coma profundo. Ao sair dele, todas as suas funções motoras estavam deterioradas. Em seu corpo inerte, só um olho se mexia. Esse olho - o esquerdo - é o vínculo que ele tem com o mundo, com os outros, com a vida.”

Olá, leitores! O Fernando me chamou pra ser colaborador do blog e eu decidi recompensá-los com a resenha de um livro que li há pouco tempo e que se tornou muito importante pra mim: O Escafandro e a Borboleta. 

O título (Le Scaphandre et le Papillon, no original em francês), à primeira vista, dá a entender que o livro é um – puro - romance ou algo do gênero. Mas na realidade é a biografia de um jornalista e escritor, Jean-Dominique Bauby, que também foi redator-chefe da revista ELLE e escreveu o livro após um acidente vascular cerebral que o colocou num coma profundo, em 8 de dezembro de 1995. 



Jean-Do – como era chamado pelo pai – entrou em um estado de invalidez, ao qual a medicina dá o nome de “locked-in syndrome” (literalmente, trancado no interior de si mesmo). Ele não podia falar, comer ou se mexer sem a ajuda de aparelhos. Parecendo ironia, o glamour e toda a facilidade para comunicar-se de outrora já não faziam mais parte da vida de Bauby. 

O único vínculo de Jean com o mundo era o seu olho esquerdo, e ele piscava uma vez para dizer “sim” e duas vezes para dizer “não”. Tirando proveito disso, a fonoaudióloga de Jean desenvolveu um método para que ele pudesse “falar” e tal método consistia num alfabeto que era recitado na ordem decrescente de ocorrência na língua francesa e Jean escolheria a letra através do piscar do seu olho esquerdo. 

E S A R I N T U L O M D P C F B V H G J Q Z Y X K W



O livro fala do processo de adaptação de Jean à essa nova vida: sem vontade própria e liberdade. O escritor chega a apresentar um tom bem crítico e sarcástico em relação à sua situação de invalidez falando dos pratos culinários antes saboreados em restaurantes chiques – agora sendo alimentado através de sondas - e das roupas de grife trocadas por um avental hospitalar. 

Nos envolvemos com a história de Jean à medida que ele fala de suas vivências passadas: com seu pai, sua mulher e seus filhos. É aí que percebemos que ele não é um personagem fictício e que aquém de sua “doença” foi alguém que teve as mesmas alegrias e tristezas inerentes a todo ser humano. 

Pra mim, uma das partes mais comoventes do livro é quando ele fala do crescimento dos seus filhos e – particularmente – do dia do acidente enquanto dirigia um carro com seu filho Théophile ao som de “A day in the life” dos Beatles. Jean intercala partes da música enquanto narra sua trajetória, falando do ritmo, das notas, e finaliza a narrativa – juntamente com a música – na parte em que entra no coma. 

Existe a adaptação do livro, lançada em 2007, e dirigida pelo pintor e cineasta Julian Schnabel. O filme estrela o ator francês Mathieu Amalric como Jean-Dominique Bauby e rendeu a Schnabel o troféu de Melhor Diretor no Festival de Cannes, um Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor. 

Eu recomendo o livro, pois considero uma das melhores leituras que fiz em 2014. Um livro pequeno, simples, mas com uma profundidade tamanha, que nos faz refletir sobre como estamos presos em nós mesmos, aprisionando nossas borboletas – pensamentos - na imensa bolha de vidro do nosso escafandro.

TRAILER DO FILME


Gostou? Então clique aqui e assista ao filme online.




2 comentários:

  1. Esse livro é maravilhoso e o filme não fica atrás. É um dos poucos filmes na minha lista seletiva (que só tem mais.. 2?) que me parecem fiel ao livro. Resenha ótima! <3

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  2. O filme parece ter uma boa ideia, Jean parece se ligar a realidade com um fio pouco mais fino do que o nosso, ótima resenha.

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