Henderson, o rei da chuva - Saul Bellow


Olá, leitores! Beleza? Mais uma novidade no ar! Estamos com mais um novo colunista. Seu nome é Danilo Rodrigues e mais pra frente ele vai contar um pouco mais sobre si. Ele escreveu essa resenha incrível de Henderson que me fez querer ler o livro! Enfim. Seja bem-vindo, Danilo! 

Henderson, o Rei da Chuva - Eugene Henderson é um homem complexo e em crise: riquíssimo, descendente de homens ilustres, criador de porcos, ex-combatente da Segunda Guerra ferido e condecorado. Na meia-idade, depois de dois casamentos e de um punhado de filhos, de incontáveis conflitos com parentes e vizinhos, de dores de dente crônicas, bebedeiras e ameaças de suicídio, ele decide romper com seu passado de erros e empreender uma virada existencial radical. Parte então para a África, em busca de uma humanidade mais "autêntica" e de um sentido para a vida. Com seu extraordinário domínio da narração em primeira pessoa, Saul Bellow relata pela voz ao mesmo tempo exasperada e cômica do próprio Henderson os encontros e desencontros entre o racionalismo pragmático do personagem e uma África deliciosamente exótica, remota e insondável. Primeiro entre os Arnewi e depois entre os Wariri, povos contrastantes que só têm em comum uma dramática falta de água para a lavoura e o gado, Henderson tenta atabalhoadamente colocar sua energia e seu intelecto a serviço de seus novos amigos, com resultados não menos que desastrosos. Publicado originalmente em 1958, Henderson, o rei da chuva, com seu protagonista inesquecível, é considerado um dos livros mais saborosos de Bellow. Com alguma licença, pode ser visto como uma variação irônica e bem-humorada, mas não menos humana, do confronto entre a civilização ocidental e a África selvagem descrito por Joseph Conrad em O coração das trevas.

Este livro apareceu numa lista intitulada “Dez romances do século XX que valem a pena”, em algum dos vários sites que sigo que tratam de literatura. Resolvi conferir e acabei por comprar o livro. 

A primeira coisa que me chamou a atenção: o livro é leve, no sentido literal. Apesar de ter mais de 400 páginas, dá pra segurar com uma mão e ler por um bom tempo, sem sentir nenhum desconforto. Ah, e o papel é amarelado, daquele tipo que não cansa a vista. Outro ponto positivo. 

“Henderson, o rei da chuva” foi escrito por Saul Bellow, nascido no Canadá e naturalizado estadunidense, ganhador do prêmio Nobel de literatura em 1976. A história tem como base a vida de Eugene Henderson, um milionário de cinquenta e poucos anos que está passando por uma fase complicada. Os problemas conjugais estão presentes no segundo casamento, o alcoolismo faz parte de seu dia a dia e surtos emocionais o fazem pensar em suicídio. Apesar da situação financeira estável, da esposa e filhos e das atividades que escolheu desempenhar, como criar porcos, é visível a falta de sentido em tudo o que faz. 


Outra capa.

Após mais um episódio da crise vivida por Henderson, surge a possibilidade de fazer uma viagem à África. A proposta é tentadora, pois parece ser uma oportunidade de partir em busca de significado para a vida. O contraste entre os costumes ocidentais e a vida no continente africano seria um auxílio para refletir sobre tudo que estava passando. 

Nesta parte da história, penso que é inevitável que o leitor se imagine na mesma situação. Ficar afastado de toda a tecnologia que nos cerca e que, teoricamente, nos fornece tanto conforto e informação, para conviver com costumes bem diferentes dos nossos. Vários críticos já haviam alertado que o autor soube explorar muito bem este contraste entre a civilização ocidental e a África selvagem, comparando esta obra aos livros de Joseph Conrad. 

Em meio à pobreza e à escassez do novo continente, Henderson mostra ser um personagem cativante e extremamente complexo. No contato com as tribos locais, seja tratando com os dóceis Arnewi ou com os violentos Wariri, o milionário de um metro e noventa e mais de cem quilos revela seu lado sentimental e, ao mesmo tempo, impulsivo ao tentar resolver os problemas que surgem. 


Mais uma capa.

Eu achei estes trechos os mais legais do livro. Ou eu estava rindo, ou apreensivo, ou inconformado com o ocorrido, mas a personalidade do personagem principal é muito visível, até porque é ele que narra toda a história. E os resultados que ele atinge conforme vai se relacionando com as tribos são sempre imprevisíveis. 

A história tem momentos de tensão e de humor, e não existe aquela sensação comum encontrada em romances “baratos” de estar sempre prendendo o fôlego à espera do próximo acontecimento. A fluidez dos eventos permite ao leitor saborear cada trecho com intensidade. 

E aquele leão na capa do livro? Bom, aí tem que ler a história para entender. Pode-se afirmar que a lista mencionada no início do texto acertou ao indicar que você deve ler este livro. 








5 comentários:

  1. Oi, Danilo ! Tudo bem ?
    Parabéns pela resenha (:

    Não conhecia o livro. Mas essa trama... É sempre bem bacana quando o autor explora essa "viagem de reflexão/autoconhecimento" na vida do protagonista. Costumo gostar de livros (ainda mais filmes) assim. Com certeza vai para minha lista de leitura.

    www.apenasumahistoria.com

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  2. Oi Fernanda.

    Que legal que você gostou. Leia também "Senhores e servos", do Tolstói. É bem curto e dá pra baixar da internet (já é domínio público).

    Um abraço.

    Danilo Rodrigues

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  3. Olá, Danilo, tudo bem?

    Primeiramente seja bem vindo, e parabéns pela resenha.
    Eu não sou muito chegado em romances, mas esse realmente me deixou bem interessado, a trama é bem diferente, e apesar do livro ser grande, é bom de ler.

    Obrigado pela indicação, abraços.
    http://marcasliterarias.blogspot.com.br/

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  4. Oie,

    Eu não conhecia esse livro, e bem é uma história e tanto, parece ser um daqueles livros que valem a pena cada centavo gasto. Fiquei mega curiosa pra saber o que o leão tem a ver com a história.

    Mayla

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    1. Danilo Rodrigues29 de maio de 2015 19:48

      Oi Mayla.

      Eu também nunca tinha ouvido falar desse livro. Como mencionei na resenha, descobri em uma lista de "indicações" de livros do século XX (eu adoro essas listas! Geralmente ela contêm boas recomendações).

      Mesmo quando eu leio uma recomendação e não acho tããão legal quanto disseram, tento encontrar pontos positivos na história. Em várias ocasiões eu não gostei tanto da história na primeira leitura, mas depois li de novo e acabei gostando. Foi assim com "A morte de Ivan Ilitch", de Tolstói.

      Um abraço e boa leitura!

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